segunda-feira, 9 de março de 2015

Booooooom dia, Vietnam!!!!

Eu não vou defender Dilma Rousseff, nem o PT, ambos bem aparelhados juridicamente e que não me pagam 1 centavo para tal. Na verdade, acho bastante sensato uma oposição ao governo, visto que o mesmo tem perdido as rédeas da economia, vem sendo negligente com os interesses do povo e das causas ambientais e indígenas e, a exemplo de todos os outros governos anteriores, tem dado todas as provas de sua corrupção. Isso, macacos, não significa que eu apoie a deposição da presidente e o empoderamento de Aécio Neves, menos ainda, óbvio, a instauração de um regime militar. Mas considerem que a 'direita' - entre aspas, porque o PT há muito deixou de representar os ideais da 'esquerda', tornando-se apenas mais um partido a exercer o poder em conivência com os detentores do poder monetário num sistema chamado Estado e onde não há esquerda e direita e sim que fatura e quem não - houvesse se mantido no poder esta década passada e o país se encontrasse hoje neste mesmíssimo e exato estado, em idêntico clima de recessão, eu me pergunto se haveriam panelaços, se não haviam os que defenderiam cada medida econômica como atos meramente necessário à manutenção da estabilidade financeira do país. Forçando mais um pouco a balança, imagine que tais medidas econômicas, para além da já conhecida corrupção, causasse a depreciação da qualidade de vida das camadas menos abastadas da população, a classe média tomaria para si as dores e se mobilizaria com o mesmo ódio e a mesma determinação contra o governo como hoje se vê? Vocês, macacos, conseguem ver a classe média indignada com o sucateamento da saúde e educação públicas? Com a exploração dos trabalhadores, com o baixo salário mínimo, com a maneira escravagista que se conduz o trabalho doméstico?
Enquanto o governo não funcionar, não houver um compromisso para com o bem estar do povo - e inclua-se ai a cooperação do poder privado, encarnação do demônio da ganância - façam-se manifestações e que se cobre soluções para as dificuldades da população. Façam-se toda sorte de protestos e reivindicações legítimas, que sejam acuados os responsáveis, mas conheça seu inimigo. Perceba quem defende os que sempre foram oprimidos e privados de dignidade, quem de fato é contra a corrupção que sempre degenerou a classe política e empresarial, quem tem uma noção de justiça social que vá além de seus próprios interesses. Entre os que gritam junto a vocês por melhorias, macacos, estão muitos que querem lhe por o jugo, porque o mundo é escamoso, vai por mim.
Boooom dia, Vietnam!!!!

Sobre a corrupção: os políticos desviam verbas, fazem acordos, apadrinham enriquecem absurdamente com o dinheiro público. os grandes empresários e investidores fazem acordos e manobras fiscais, sonegam, subornam. O cidadão pega propina ao policial, assim como o assaltante e o traficante. Este último muitas vezes se associa a algum deputado ou vereador, a um delegado. O rico faz o que pode, pressiona políticos, tudo para pagar menos, para explorar o quanto puder seus funcionários. Carregando quase todo este peso, o trabalhador às vezes desvia energia elétrica, desvia água, enrola no expediente. No casamento, quase todos escondem seus relacionamentos extras, seus filhos com outras mulheres. Há ainda os que roubam seus empregadores, mesmo aqueles que resolveram lhes dar uma chance e uma ajuda. Pronto, macacos, podem falar de corrupção à vontade agora, porque o mundo é escamoso, vai por mim.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Boooooooooooom dia, Vietnam!!!!
Imaginem, macaquinhos desprezíveis, os eventos a seguir: um rio corre através das terras. Um macaco mais astuto, observando a terra desabitada ali, constrói uma represa para que o volume de água para si seja maior. Com o lago formado ele melhora o cultivo das terras ao redor, criando uma terra de benesses. Logo alguns amigos e parentes seus se juntam a ele, constroem encanamentos para aproveitarem a água acumulada e todos ali vivem felizes em prosperidade. Enquanto isto, a jusante da represa, muitas famílias vêem o rio minguar diante de si. A escassez da água trás a penúria, a dificuldade de se obter recursos, de levar suas vidas. Chegam à eles os rumores de uma terra de felicidade e riqueza, e para lá vão rumando em busca de vida melhor. Ao chegarem nas terras da represa, claro que não são bem vindos de pronto. Não são parentes nem amigos daqueles que lá estão, vêm fatigados da caminhada, com a miséria estampada no rosto e nas vestes. Mas, com alguma conversa, é permitido a um e outro ficar por ali. Há sempre buracos a serem cavados para instalação dos encanamentos, tubos pesados e sujos a serem trocados por novos, uma casa a ser limpa, roupas e serem lavadas, vigiar os filhos dos donos da água, estes agora muito ocupados em vistoriar os encanamentos por onde a preciosa água circula, estudar maneiras de juntar mais água - quem sabe até ampliar a represa - e, claro, desfrutar da sua riqueza em festas e passeios. Os que não foram aceitos nas terras ricas da represa, estes tiveram que dar seu jeito de sobreviver. Uns passaram a mendigar, outros foram para longe, outros mudaram-se para as vizinhanças da represa em busca de sobras ou, vez por outra, entrando ali furtivamente e usurpando para si uma fração mínima de toda aquela riqueza. E assim viveram todos, uns felizes para sempre, outros nem tanto, e muitos pereceram e ainda perecem na esperança de um dia desfrutar da água.
Qualquer semelhança da estorinha acima com o capitalismo é mera verdade. Não desmerecendo as longas noites insones e horas de estudo, nem desmerecendo o esforço, mas nós sabemos que vocês, macacos, adoram ter. Ter, no sentido mais mesquinho do verbo. Vocês reclamam que as pessoas são julgadas pelo que têm, pelo que ostentam, mas sequer se dão conta de que o ser humano não está feliz com o que tem, e sim com o que tem a mais. Um macaco só vai estar feliz em ter um carro, uma casa, uma esposa e dois filhos se a maioria dos macacos andar a pé, tiver uma esposa desagradável, morar num casebre bem longe e seus filhos forem engraxates. Aí começa todo o malVocês macacos não querem o melhor para si, vocês querem melhor do que o dos outros, e jamais são felizes sem ver outro primata na pior. E ainda tem a desfaçatez de vir com falácias de educação, humildade, um mundo melhor...
Quer mudar o mundo, humano, comece mudando a si mesmo. Vamos ver se você consegue, mas eu duvido, porque o mundo é escamoso, vai por mim
P.S. Como se fossem poucos nossos problemas com um governo e um empresariado formando uma vasta e sólida estrutura de corrupção explorando e alienando o povo, temos também agora que lidar com o fundamentalismo religioso. Atentem para os Gladiadores da IURD

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Boooooom dia, Vietnam!!!!
Nem todos vocês primatas sabem, mas os ratos brancos de laboratório são de uma espécie conhecida popularmente como rato-marrom, uma espécie de rato arisca e propensa a agredir quando acuada, Logo, na necessidade de domesticar os ratos, foram sendo selecionados os indivíduos mais mansos do grupo para reprodução sucessivas vezes, até se conseguir uma linhagem de ratos dóceis, fáceis de lidar e que podiam ser mantidos sem dificuldades em cativeiro. E o padrão genético dos ratos mais mansos trazia também, uma supressão da pigmentação dos ratos, fazendo-os nascerem brancos. Logo, ratos de laboratório não são ratos brancos. São ratos mansos. A brancura da pelagem é somente uma consequência secundária inerente aos seus genes.
Outro dia vi uma propaganda de um brinquedo cujo horror do slogan passa despercebido da maioria das pessoas: o menor helicóptero de controle remoto do mundo, projetado para ambientes internos! Isso mesmo. Um helicóptero de controle remoto feito para voar na segurança de uma residência. Você, macaco, pode até imaginar um menino feliz da vida pilotando isso na segurança do do seu lar enquanto a vida, o mundo, estão lá fora. O mundo, bom ou ruim - e aqui eu digo sem medo de errar: RUIM - está lá fora. Assim como os pelos brancos dos ratos de laboratório não podem ser dissociados da sua mansidão, há traços comportamentais que seguramente estão atrelados a outros, e não é difícil perceber isso. Quando imaginam a criança pilotando um brinquedo aéreo desenvolvido para ambientes fechados, vocês imaginam mesmo um menino mal vestido, com os braços e pernas marcados de surras e picadas de insetos pilotando este brinquedo ridículo no interior de um casebre na periferia? E quando falo do mundo do qual a criança feliz da propaganda é apartada ao pilotar seu brinquedo em seu ambiente fechado e seguro, eu falo das cidades que foram construídas na exclusão de uma classe e ao prazer de outra. Não é difícil imaginar as ruas como um ambiente hostil. São pouco arborizadas, sufocantes, são sujas, há ladrões e viciados à espreita. É mais fácil se trancar. Acordar trancado em casa, sair trancado no carro, passear trancado no shopping, brincar trancado em casa. Trancado e ignorando as mazelas deste modelo de sociedade. Trancado em casa, a fealdade e o fedor da pobreza são apenas imagens na tela de alta definição da sua TV, do seu smarphone, do seu tablet. São algo que um governo corrupto ou a falta de caráter e de esforço familiar produziram, não o capitalismo. Uma coisa que oito a dez horas de trabalho árduo pode suplantar, basta querer, ou talvez mais fé em deus para que ele recompense sua lealdade ou, em ultimo caso, alguns policiais armados e dispostos podem dar jeito. Trancado em casa não se vê o mundo em franca degradação, não se vê o lixo nas praias, o desflorestamento. Não se vê os reservatórios secarem. Trancado no shopping não se vê a corrupção do governo, não se vê a ganância criminosa dos investidores e especuladores. Trancados, tratam com a devida distância os elementos que vem de fora. A doméstica, o porteiro, o zelador, a faxineira do escritório. E assim, trancados, não atentam para a febre-da-cabana, fala-se em dividir o país, pede-se a volta da ditadura. E trancados vão vivendo, consumindo, se consumindo.
Aparentemente, macacos, não foi somente o pequeno helicóptero que foi desenvolvido para ambientes fechados. E dentro e fora, o mundo é escamoso, vai por mim.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Boooooooom dia, Vietnam!!!!!
Vamos hoje tentar usar a imaginação, primatas. Imaginar uma situação hipotética. Hipotética, mas não fantasiosa: o rapaz é de origem humilde, viu amigos ou talvez parentes morrerem vitimas de latrocínio ou por estarem no lugar e hora errados quando algum traficante resolveu acertar contas com rivais. Cresce com aquela raiva de bandido e resolve virar policial, é treinado sob pressão de uma lavagem cerebral de um modelo opressor e ultrapassado. Dentro da corporação ele depara com o fato de que muitos dos seus colegas se aliam ao crime, fazem acordo com negociantes de drogas, que seus 'heróis' são apenas outra face do seu antigo inimigo. Ele não confia mais em qualquer um, nem nos fardados e nem nos marginais que ele persegue. Mas ele é incorruptível, ele deseja ver a lei cumprida, ele deseja ver as ruas limpas da escória. E esse ser obstinado recebe uma arma carregada e um distintivo. Quando este ser é confrontado com alguém que não aceita sua autoridade deturpada e se insurge contra seus excessos, o que ocorre?
Na outra mão, temos um outro rapaz de origem humilde, que também viu seus colegas ou talvez parentes perderem a vida para os mesmos latrocidas e os mesmos negociantes de drogas. Não teve instrução devida, não teve grandes chances na vida e o meio que conseguiu para seu sustento foi a venda de produtos clandestinos nas calçadas do centro da cidade, numa total informalidade. Ele não estupra, não mata, não assalta. Seu crime de vender produtos ilegais parece ridiculamente inofensiva diante da guerra do tráfico, da corrupção no governo e dos preços abusivos das grandes corporações. Então é confrontado com um policial que chega para lhe chamar de bandido e tomar dele seu sustento, ele que não mata, não assalta, não desvia verba dos postos de saúde e de recuperação de estradas.
Esta situação é meramente hipotética, macacos, mas não é irreal e nós sabemos disso. E não pretendo com ela justificar o assassinato de Carlos Augusto Muniz, nem pretendo condenar Henrique Dias Bueno, cada um defendendo aquilo que aprendeu a fazer, mas lamentando profundamente o episódio que apenas, mais uma vez, exibe não apenas o despreparo da polícia - que só devia sacar de suas armas letais quando suas vidas se vissem em possibilidade de risco, a frágil educação do povo - que deveria saber que não se deve entrar em embate físico com uma pessoa armada, mas exibe também, de forma bastante clara, o nível de tensão que vivemos. A polícia ainda é a lei, mas a lei não é mais pelas pessoas e faz tempo que ninguém se sente exatamente protegido ou seguro na presença da polícia. O povo não conhece mais autoridade, e se isso é bom para se iniciar um levante popular contra instituições opressoras, é péssimo quando resulta em alunos que agridem professores - os casos são muitos e num deles uma professora quase perde a visão de um dos olhos, ou agridem seus pais e avós. Notem, macacos, que aqui só falamos de UM evento. UMA possibilidade envolvendo pessoas menos favorecidas.
Quando você vê aquele carro de luxo com um adesivo Fora Dillma (com os dois Ls verde e amarelo numa clara alusão ao ex presidente Fernando Collor, deposto de seu cargo) você enxerga ali uma pessoa indignada com a corrupção do governo? Uma pessoa pessoa que se sentiu traída pelo partido que jurou defender o povo? Uma pessoa preocupada e comprometida com as causas sociais? Você consegue enxergar ali, naquele sedã ou naquela caminhonete de R$ 100.000,00 uma pessoa que diz 'Fora Dilma! Fora PT! chega de exploração aos trabalhadores, chega de hospitais sucateados, chega de supersalários para juízes e parlamentares!'? Ou você vê ali a indignação de quem não pode mais manter uma empregada doméstica naquele regime escravagista, aquela pessoa que não se sente mais tão destacada porque os shoppings estão repletos de gente com a cara dos subúrbios de onde vinham suas empregadas, gente com medo de não poder mais ser médico fantasma de hospital público?
Acho que já dei meu recado, macacos, porque o mundo é escamoso, vai por mim.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Booooom dia, Vietnam!!!!!
Macacos, não sei quantos nem quais de vocês se deram conta o quão tensa está a corda, o quão rachada está a ponte. Nunca testemunhei um confronto tão ferrenho, tão determinado, entre as classes. Nunca vi as pessoas tão dispostas a se agredirem mutuamente, a se humilharem mutuamente, eu nunca vi tão intensamente a disputa de interesses separar racistas e não racistas, homofóbicos e simpatizantes das causas LGBT, entre quem tem poder e quem sofre no lastro da sociedade. De um lado temos Mário Lúcio Costa sendo, de certo modo, criticado por sua postura contra Patrícia Moreira - atual símbolo do racismo no Brasil. Temos uma multidão dizendo 'fora, comunista!', como se estivéssemos nos EUA dos anos 1950 ao mesmo tempo em que a distribuição de renda - e aqui eu não falo de BolsaPorraNenhuma, mas de salários justos, preços justos - produzindo ainda tanta fome, tanta miséria. Você tem gente como Bolsonaro e Malafaia apregoando seu repúdio aos homossexuais - e aqui cabe falar de João Antônio Donati, encontrado morto por estrangulamento e com o bilhete "vamos acabar com essa praga" enfiado em sua boca.
Curioso é justamente o apoio de pessoas políticas a práticas tão condenáveis. Não me lembro de ter visto Gentili apontar sua famosa língua afiada contra as pessoas realmente perigosas, como pastores alienistas, contra politicos conservadores e empresários cuja ganância vai além da degeneração, mas ele sabe fazer suas piadinhas contra negros e gays e mulheres. Você vê pastores e deputados e senadores acusando e condenando homossexuais e depois se declararem vítimas de 'cristofobia'. É época de eleição e todos os candidatos de destaque se preocupam muito mais em acusar seu oponente como se seus próprios partidos jamais se houvessem envolvido em esquemas milionários de corrupção. Você, macaco, vê o levante dos conservadores contra o Comunismo e o Socialismo e reclamando da criminalidade e da pobreza como se ambas não fossem, em grande parte, o subproduto de um modelo econômico e trabalhista exploratório e segregador.
Então estamos ai, vendo os reacionários criticando um país que eles mesmos ajudam a se tornar pior e pior a cada dia, vemos um povo alienado e sem representação, vemos os que se acham melhor por serem brancos - branco no Brasil? sério? - tentando empurrar os negros de volta á senzala - alô, Edson Arantes do Nascimento, tudo bem por ai? Temos pastores e, pior, políticos, incitando a discriminação sexual e religiosa, e isso tudo mergulhado numa sociedade de adoração onanista pela ostentação resultando em episódios de violência banais como as recentes agressões de adolescentes em suas escolas, alegadamente motivados meramente por inveja da beleza das agredidas, os latrocínios motivados por que os agressores sequer passam fome, apenas desejam roupas e acessórios de grife.
Se você acha mesmo que o problema é somente destronar o PT, ou empossar o PSDB ou dar a chance ao PSB, não lamento nem um pouco em dizer, macaco, que você é mais alienado do que imagina, porque o mundo é escamoso, vai por mim.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Boooooom dia, Vietnam!!!

O jogo mais uma vez muda, em parte, sua configuração, macacos.  Não vou lamentar a morte daquele rapaz de olhos claros que muitos achavam que ia salvar o Brasil, já é tarde para isso e muita gente já o fez, embora eu preferisse sinceramente que ele somente se aposentasse e fosse viver com sua família sem infligir nenhum dano ao povo. Lamento a tragédia, mas eu não concordava com sua política falaciosa e coronelista. Porém, mais ainda, eu lamento a tragédia que há anos vem ocorrendo sem dar sinais de esmorecer. Morre Eduardo, lesando severamente o Partido, então que se tome proveito disso, alavancando a campanha da muito duvidosa Marina Silva, discursando de cima de um caixão - com direito a voltar atrás em suas convicções e propostas sob a pressão da Bancada Evangélica. Caixão este dentro do qual tentam sepultar a misteriosa origem de um avião bem caro. Não digo que alguém o tenha dado de presente, longe de mim tal calúnia, macacos, mas se um homem padrão oferece ingressos de cinema esperando uma bela trepada em troca, imagina o que se espera ganhar em troca de um avião. Isso falando somente dos paladinos da Nova Política. Nem precisei citar aqui o descrédito da atravancada, e repleta de tropeços, recente administração petista. Como se fossem poucos os problemas que Dilma arranja sozinha com a Petrobras e com a estagnação econômica, ainda precisa se resolver com uma imprensa obstinada em entronar a já conhecida e opressora elite brasileira. Se tudo isso não for trágico o bastante, primatas, olhem para Aécio, esmerado em seu figurino e na beleza de seu discurso: um produto fino e acabado de uma classe que jamais se envolveu com o povo além de sua posição privilegiada nas relações de servos e senhores. E o mais triste é que, novamente, os olhos e ouvidos burros de vocês estão, novamente, focados nos mesmo ídolos já conhecidos, os mesmos que sempre tiverem as rédeas e o chicote na mão e que sempre fizeram deste pais o que ele é. Vocês acham mesmo que alguma coisa vai mudar com vocês fazendo como sempre fizeram? Sério?
Até agora só falei dos amigos presidenciáveis. Eu nem mencionei as doenças sociais, como o caso da menina de nove anos de idade assassinada porque seu irmão, de doze, devia uma grana aos traficantes. Nem falei do time de futebol que teve o uniforme alterado - removeram a figura de um indígena do escudo - por pressão das convicções religiosas dos jogadores, óbvio, evangélicos. Não falei dos PMs estupradores do Rio de Janeiro, que eram também assaltantes - o sonho do oprimido é o quê mesmo? Nem mencionei os recentes fenômenos da moça racista que se deu mal e da moça negra que foi severamente ofendida por ter um namorado branco. Não digo que as pessoas estavam certas em apedrejar a casa da família da torcedora gremista, mas é difícil sentir pena de gente racista. Da mesma forma que, mesmo sabendo que não é certo, é difícil se apiedar do estuprador e do assassino linchado. Lamentável que apenas essa moça sofra represálias tão fortes quando ela era apenas uma entre os que esbravejavam e ofendiam na ocasião, sem sequer se darem conta do ridículo de serem, todos sem exceção, macacos falantes. Todos, sem exceção, macacos maquiados, macacos lamurientos, macacos racistas, descriminadores, violentos, obtusos, egoístas, alienados, sádicos. A obra prima de deus, de alá, da cadeia predatória darwinista: macacos! Macacos que mentem, enganam, tentam sempre levar vantagem. Macacos desonestos, patéticos, hipócritas, macacos. Todos macacos, porque o mundo é escamoso, vai por mim